quarta-feira, 16 de abril de 2008
Por uma contemplação utópica
Penso vários lugares, momentos, estratégias, erros, compromissos e desejos para talvez desabafar aqui, mas dos dedos, nada passa. Hoje foi o dia em que o céu ficou roxo quando o sol resolveu iluminar o outro lado, o ar gelou e eu com o peito apertado. Tudo de repende se ajeitou na minha vida de um jeito que me assusto. Tudo de repente virou e permaneceu de um jeito que já não tenho certeza se é bom. Sinto como fosse ser sempre assim, esquecendo o salto que estou pra dar na minha inutil vidinha. Já tenho mais cautela, ja tenho medo de me entregar de novo, já tenho medo do futuro e de um amargo fim. Tenho receio das minhas escolhas importunas, tenho odio de tentarem controlar meus sonhos e me dizerem o que eu devo fazer só porque foram frustrados, e ainda são. Tenho ódio de me julgarem infantil por tentar crescer e me orgulhar de mim mesma, sem esperar o que já está pronto, só porque nunca tiveram o que esperar. Imagino essa impassíbilidade, não sobe não desce, fica quieto e obedece. Se não tem quem obedecer, segue a sociedade vivendo a vida inteira no mesmo bairro, sabendo que rugas aparecem, noivados terminam, e filhos crescem. Quero vender tudo, seguir meu instinto e olhar pra trás e dizer que valeu a pena. Quero manter tudo, administrar e dizer que sou capaz de cuidar sozinha, e ser só mais um soldado nesse ciclo infernal. Porque nos contam quando somos pequenos que se deve sonhar e ter objetivos, se quando tivemos um nos chacoalham e querem que sigamos seus passos de sucesso e glória? Ou devo desitir. Ou devo resistir. Ou devo insistir. Ou devo ver que tenho 17 anos e posso respirar um pouco e aproveitar um pouco. Ou devo te amar de novo. Ou devo emagrecer. Ou devo cuidar da minha saúde. Ou devo parar e permitir que o tempo me pegue no colo, feche meus olhos e a janela, e me cubra bem, porque essa noite, diz ele, promete esfriar.
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