A cada dia eles me sufocam mais, e eles nem imaginam. É tanta pressão, tanto ato inconsciente, inconsequente, que eu já nem sem mais aonde ir. Aonde escrever. É um paradoxo de uma família normal, classe média, casa boa, vida boa, tudo certo. Mas que tinha o único defeito que eles consideravam ser a melhor qualidade: amor demais. Amor de pais que chegam a sufocar. São perguntas a todo instante: mas no que queres trabalhar? Porque essa faculdade? Não vais ser nada. Teu irmão vai ser muito mais rico, ele vai se dar bem, não saiu de casa. Até ouvir da boca dele: "um dia eu compro um carro pra ti". Porra, qual o problema? Eu tenho cara de fracassada? Desequilibrada? Sem futuro? Só porque eu não divido todas minhas vontades e sonhos não significa que eu não tenha! É ter jogado na cara todos os dias que eu vou ter que assumir as consequências dos meus atos hoje. Que se eu ficar é tudo bem mais fácil. Mas como? Se nem respirar eu consigo nessa casa que já me pos no fundo do buraco sem nem ter escavado ainda! E eu? Não cago nem saio da moita. Eu fui estudar fora sim, e não me arrependo, e não pretendo voltar. Mas volto. De 5 em 5 dias sou obrigada a estar em casa e ouvir as choraminganças. Já era hora de ter minha posição: eu vou ficar lá. E não vim sempre, e dizer que aos poucos eu vou estar me dando muito melhor que imaginam. Ou não. Continuar vindo sempre e ter minha garantia que se não der certo eu posso voltar, porque fiquei com um pé lá outro aqui. Só que é realmente impossível tentar ser melhor, dizer que tudo vai dar certo pra mim se nada nem ninguém ajuda. Querem mais é que meu irmão de super certo porque ele que tá ali todo dia, não se rebelou, não decidiu sair, e vão ter pelo menos um filho bem sucedido no mundo.
O que eles não sabem, é que vão ter dois.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
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