" E quando o dia não passar de um retrato, colorindo de saudades meu quarto, só aí vou ter certeza que eu fui feliz". Assim estava escrito no porta retrato abaixo de seis pequenas fotos de seis meninas, vestindo a mesma camisa escrito "terceirão 2007", com os cabelos, olhares e sorrisos intactos, desejando que esse ano nunca tivesse acabado. É estranho pensar que no exato ano em que nossas vidas começaram a tomar um rumo, a gente se conheceu. Era sexta série, ninguém se preocupava com nada, meio desengonçadas, e a gente já saía do recreio com dor na barriga de tanto rir. E desde lá todas sabem de todos os amores de cada uma, das decepções, dos estilos, das músicas, das incoerências, dos detalhes. Todas sabem que não precisamos de muito esforço pra demonstrar amor, ou pra ter saudades, sempre foi tudo tão normal, que parecem que sempre estarão ali, que ano que vem a gente vai entrar na sala e vamos receber um abraço e um bom dia, ouvir uma reclamar do calor ou outra chingando o mundo. Seis peçinhas raras.
Elisa, o sentimento. Loirinha e de corpo perfeito, sempre reclamando que tá com uma pançinha e que vai fazer dieta, sendo que nunca precisou. Intolerante à lactose, canta e toca como ninguém, mas vai fazer moda. Sempre foi a mais sensível, carinhosa, e sabe demonstrar afeto em pequenos gestos. Não tem medo de chorar, rir, desencravar unha em público, pular, correr de avestruz ou falar da vida pessoal. Única, e inconfundível.
Aline Muller, a sabedoria. Opinião e personalidade na frente de tudo, imposição, inteligência. Sabe a hora certa de falar, sabe o que falar. Silenciosa e com os pensamentos só dela, não se importa de guardar tudo pra si, lê bastante, é eclética e gosta de salmão. Há muito tempo já quer medicina, sempre foi a mais responsável, a que sabe o que fazer quando a coisa aperta. Admiração de todos, inveja de muitos.
Ellen, as palavras. A liberdade de expressão, exigência de felicidade, abuso de exageros. Todos os dias sorrindo, transmitindo isso pela pele, era impossível ficar triste perto, contagiava. Incentivo à loucura, à ir atrás dos sonhos, à se entregar ao amor, à viver intensamente cada segundo sem ter medo de voltar atrás. Apaixonada por sorvete, por uma noite de filmes e pizza, pela literatura brasileira. É a vida, é a poesia.
Gabriela, a bagunça. Exótica, hippie, coisas diferentes, coloridos, detalhes. Foto de tudo, grandes fotos, criatividade imensa. Se agonia com pintas, barulhos agudos, com o nariz. É só ela chegar que a paz ia embora, berros, gritos, piadas, risos, risos e um pouco mais de risos. Dormiu o ano inteiro, vai fazer publicidade, é desligada de tudo, esquece um pouco e ama mostarda e pepino. A exigência, a perfeição.
Michelle, a elegância. Movimentos maduros, atitudes adultas. Prefere não se mover muito para conseguir as coisas, escolhe sempre o caminho mais fácil, rápido e seguro. Prefere não abrir mão do pouco e do bom, exagera em tudo, gosta de rosa, do luxo, do bonito. É modelo, não mostra o dente, não arrisca: não come muito, não experimenta coisas novas com medo de gostar. Quer administração e o sossego de uma vida sem aventuras. Mas por mais grande que seja, continua falando "iorgute"," hambuguer" e "pocurar".
E eu, Aline Duarte, a felicidade. Presa pelo tempo, não pode esperar, faz tudo em um dia só, faz uma coisa por minuto. Fascinada pelo céu, sonha longe. Se distrai com pessoas, faz cara de paisagem, ri de absolutamente tudo, tem um telescópio , gosta de exatas e de rock. Não se preocupa com aparência, odeia esportes, lê bastante e ama viajar, comida temperada, gosta do diferente. Só tem problemas com espirros: ri com o dos outros, e baba no seu.
Um pouco mais perfeito do que devia.
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