domingo, 30 de março de 2008

O depois

E agora posso dizer talvez um pouco aliviada, talvez sem dormir essa noite, que acabou. Acabou tudo, todos desabafos de uma relação mal correspondida, de choros, chances, de tentativas. Amanhã eu vou acordar e não, sem me preocupar onde ele está, sem me lamentar por não ter atenção, ou por ter deixado isso chegar como chegou. No fim de tudo eu só posso imaginar como poderia ter sido melhor, mas agora, tudo acabou. E dói razoavelmente muito fundo aquele ultimo abraço desejando que se cuide, e que não suma da minha vida pra sempre. E acho que essa noite vai durar muito, tenho sono e meu olho pesa, mas não posso dormir assim quando começo a entender o que aconteceu, o que será do meu eu a partir de amanhã quando acordar e ver um dia chuvoso sabendo que é domingo, e depois de amanhã segunda. Quem sabe eu cuide mais de mim, leia uns livros mais intelectuais, e vá em busca de mim sem interferencias por ter dado um pedaço da minha vida pra alguem que não soube o que era isso. A gente chega e vai como alguns dias, a gente se encontra e se despede como alguns rostos. Mas são três da manhã e um filme não quer parar de passar na minha cabeça. No fundo ninguém queria, mas todos precisavam. Agora sou só minha, e vou fazer de mim o que puder, com meu orgulho só pra mim, com meus pensamentos que não deixo escapar, com minhas lamentações, meus medos, e meus cinco meses. Cinco mêses e eu por um momento não quero ir, mas quero ruas novas, pessoas, salas, quero um choque, quero um susto, um tropeço e um despertador. E lembrar todo dia que tudo que eu passei ninguem, ninguem pode tirar de mim. Que meus sorrisos exacerbados tão todos guardados, e meus vários momentos que anexei como inesqueciveis, tudo só meu, seja agora, ou daqui cinco meses.

O antes

O que aconteceu com a gente? De repente dois estranhos conversando em uma mesa à uns patéticos centímetros de distância. de repente tudo escuro, de repente não atende mais ligações, de repente acho que morreu pra mim. de repende é sábado a tarde e eu vejo que é o fim de quase um longo ano que demorou tanto pra acontecer e se vai tão rápido. Quantos dias de calor, dias de frio, caras de sono, recreios, brincadeiras, quantas aulas eu olhava pra trás pra dar um pequeno sorriso no canto do lábio? quantas ? Quantas vezes subimos a mesma escada, com as mesmas conversas. Quantas chances te dei? Quantas vezes me dispus pra começar tudo de novo, respirei de novo e esperei melhorar, mas ainda espero. Eu não acredito que aches que tá tudo bem, só não me diz que a gente vai terminar por não se falar mais. Podemos nos encontrar, chorar um pouco juntos e lamentar uma nostalgia de quem começa uma vida nova solitária e completamente sozinhos ? Podemos nos encontrar pra eu dizer que espero um dia conseguir um laço do que chamam de amizade, pra dar um ultimo abraço, e dizer que eu não sei como, nem o que tu fez pra ser inesquecível pra mim. Talvez esse teu jeito bobo de achar que a vida são horas, e que a melhor coisa a fazer é dormir e esperar o tempo ir passando ate ficar velho, fazer umas contas e descobrir que passou mais da metade da vida dormindo, ou pensar em ligar pra mim pra perguntar se eu passei mais da metade acordada, mesmo tu ja sabendo que sim. Não dispenso nenhum segundo de vida, quero logo levantar e viver mais um dia, e ver pessoas, e conversar, e comer alguma coisa, e.. Cadê o renê que conheci ? Queria que se arrependesse até a carne e escutasse pelo menos uma palavra do que eu uma vez te disse. Chorar um pouco mais que eu, e por favor, ter bons amigos. E quem sabe uma namorada que te dê um tapa na cara, mas eu não. Agora pela janela começa a entrar um ar frio de março, e eu realmente queria saber como vou me aquecer nesse inverno.

domingo, 2 de março de 2008

Magistérios sem interferência

Não, infelizmente não sou boa com palavras. Não uso difíceis, não deixo nada claro, não sei por tudo que penso simplesmente aqui, não crio o que ainda não existe. Mas bem que eu queria. Numa noite de sexta feira com quatro sentadas no sofá, duas no chão, a gente se reúne, e de mim não sai nada. Queria contar que minha vida amorosa é pior do que parece, que eu me sinto presa e sufocada por não receber atenção de novo. Queria contar que eu amei a pessoa errada e que eu tenho vontade de berrar por ele nao pegar na minha mao, ou demonstrar qualquer movimento de estar feliz comigo ali. Tenho pesadelos toda noite, sonho que a gente termina, e eu me sinto realmente muito bem, e quando acordo e descubro que foi um sonho e que ainda a gente ta junto e entendo que minha vida real que é o pesadelo. Passo a manhã lamentando por saber que na vida real eu derreto fácil e tenho quase força nula pra terminar. E choro muito e muitas vezes, e esqueci de contar isso nessa sexta feira. Mas simplesmente não sai, remoo tudo junto e não sei como levo isso todo dia. Acabo de respirar fundo e me dar meu próprio conselho: agente se vê um dia por semana, tenho grandes chances de ir me desvaindo aos poucos, me preocupando menos, de ir mastigando viver sozinha. Ninguem tá me obrigando aguentar isso e eu não preciso. Se tiver o dia que posso chamar de estopim, talvez eu agradeça e consiga mais argumentos que precise, e tome a melhor decisão possível, só quero coragem. Ou quem sabe na próxima sexta feira eu desabe, conte tudo e termine sem que ele mesmo saiba. Afinal, se eu não ligar, sabe lá quem quando nos falaríamos ?