quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Axioma de ordem
tudo tão rápido rápido rápido. Tanto pensamento, tão poucas conclusões que tive até medo do que poderia vir a desabafar aqui. Quase um mês em florianópolis, em uma casa que não é minha, em um quarto que não é meu, sem comida na mesa, sem roupa lavada, e estranhamente, parece que ja vivo assim há anos. Não chorei, não implorei saudades ou pressenti arrependimentos. Não sei se a ficha ainda não caiu, ou se me iludo sem querer. é como se fosse um acorda, aula, estuda, conversa, ri, estuda, come, volta, anda, corre, dorme, que não tenho tempo de esclarecer minha nova vida. Acho que na verdade não caiu a ficha que são cinco anos, e não só umas férias. Não me imagino percorrendo esses caminhos e vivendo essa vida por cinco anos. Tendo amigos que não sabem realmente como eu sou, morando com alguem que se quer vive comigo, correndo de um lado pro outro buscando alguma coisa que nem sei o que é. De repente eu to amando tudo, vejo diferentes rostos todos os dias, caminhos, descobertas, tenho a sede do novo, e mato essa sede aqui. Mas ainda nao sei como lidar com tudo isso, parar e olhar pela janela tudo o que aconteceu tão rápido, e final de semana voltar pra casa e ver minha vida de sempre, as pessoas que ja amo há 18 anos. Florianópolis para os estudantes da universidade é assim: ou se entrega, ou não se entrega. Quem se entrega fica nos fins desemana, vai pra praia, vive a cidade, sai com os novos supostos amigos, liga pra casa as vezes, monta a nova estrutura do futuro aqui. Quem não se entrega, gosta de tudo e não abre mão, mas não abre mão também da outra vida. Ficam paralelas, mas não livres. Não fazem certas coisas aqui porque dependem de lá, tem medo ainda daquela insegurança e daquelas velhas duvidas. É tão estranho, tão intrigante, e ainda não sei explicar porque tudo me parece tão normal.
domingo, 10 de agosto de 2008
do outro lado da rua
é depressivo, é atraente. Tanta coisa tão rápido, muita mudança em tão pouco tempo, gente nova em alguns segundos que eu nem sei como se assimila. Pareçe que só vou ficar uns dias e depois volto, que eu to de ferias, e que depois volta tudo como sempre foi. Essa semana foi como se eu ja morasse lá há anos, sem saudades, sem ressentimento algum, sem constrangimento qualquer de levar a vida sozinha. Agora eu paro e só tenho vontade de chorar. Como se eue quisesse contar pra todo mundo como foi minha semana perfeita, mas ninguem tá interessado em ouvir, e eu simplesmente desabo quando vejo meus pais me esperando toda sexta. Tenho que voltar pra lá hoje, e de repente tenho duas vidas paralelas e nao quero abrir mao de nenhuma. Nao vou deixar nada aqui, nao vou deixar nada lá. O ideal de quem mora com os pais é um dia poder fazer as coisas que sempre sonhou sozinho. Sair sem avisar, voltar a hora que quiser, e isso realmente acontece. A unica coisa que me esqueci é que nao tem os meus amigos pra eu sair, nao tem os lugares que eu saio, entao simplesmente nada acontece. Quero voltar, quero levar a vida na boa sem aventuras ou curiosidade por uma vida nova. Quero só acordar todo dia e nao desejar mudanças e não querer ser diferente a cada segundo. Queria que alguem entendesse, queria alguem pra conversar, queria explodir, chorar, gritar, estudar, ou pedir que nada disso tivesse acontecendo. Que ninguem sentisse por mim, nem falta de mim, que dissessem que tá tudo bem e vai ser tudo sempre bom. Daqui a algumas horas eu to voltando, e eu simplesmente não sei.
domingo, 3 de agosto de 2008
conjectura sagaz
Faltavam seis meses, tempo de sobra pra refletir, tempo suficiente pra ter certeza, tempo necessário pra chegar até aqui, onde falta um dia apenas. Amanhã à essa hora vou estar numa casa que nunca tive antes, com uma menina que não convivi por mais de 5 minutos, longe dos meus pais, da minha cama, das minhas coisas. Parecia tão fácil, mas confesso que me assusto de olhar pra minha mala do meu lado, pras compras nas sacolas. Dá vontade de ir, mas levar tudo junto, ao mesmo tempo que quero deixar tudo aqui e nao olhar pra trás, não sei, não sei. Daqui cinco dias tô de volta, mas ainda não caiu no estomago o que está prestes a acontecer, o que me dá força é ter noção de que se eu não tivesse coragem de fazer isso agora, não ia fazer nunca mais. É bem mais fácil voltar pra casa do que ter que sair depois. Meus pais dormem no quarto de lado, e me sinto mal por ter me despedido de um amigo, um melhor amigo. Não saiu nenhuma palavra de mim, não saiu nenhuma dele. É tudo tão forte, tão simples, tão intenso, tão discreto, que não se dá pra explicar. Talvez seja assim tão perfeito por nunca ter acontecido amor de verdade entre a gente, daqueles que acontece entre homens e mulheres normalmente, mas um amor paralelo, que faz da gente irmãos, que faz da gente tão unidos. Do tipo de sair de casa pra ver novela na casa do outro, do tipo de ir fumar uma shisha pra contar alguma coisa nada a ver que aconteceu, do tipo de achar um máximo tomar cerveja porque é barato, e agente se diveeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeerte. Se eu pudesse fazer um pedido agora, seria pra que nunca, nunca eu tivesse que chegar na tua frente e te estranhar, e ter receio de contar alguma coisa por achar que nao faz diferença tu saber. Quero essa nossa amizade por muito, quero te ver todo final de semana como se eu tivesse aqui do lado sempre, na rua do lado, dividindo táxi todo sábado a noite. Agradeço a prova que é possivel existir amizade entre homem e mulher, agradeço ter te conhecido e sentado atrás de ti e jogar papel na tua cabeça. Agradeço todos nosso momentos de chubaca, de sanidade, de tristeza, de felicidade, todos. E o melhor, não digo isso como se tivesse acabado, porque daqui cinco dias, eu volto, e vai ser tudo como sempre foi.
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