domingo, 3 de agosto de 2008
conjectura sagaz
Faltavam seis meses, tempo de sobra pra refletir, tempo suficiente pra ter certeza, tempo necessário pra chegar até aqui, onde falta um dia apenas. Amanhã à essa hora vou estar numa casa que nunca tive antes, com uma menina que não convivi por mais de 5 minutos, longe dos meus pais, da minha cama, das minhas coisas. Parecia tão fácil, mas confesso que me assusto de olhar pra minha mala do meu lado, pras compras nas sacolas. Dá vontade de ir, mas levar tudo junto, ao mesmo tempo que quero deixar tudo aqui e nao olhar pra trás, não sei, não sei. Daqui cinco dias tô de volta, mas ainda não caiu no estomago o que está prestes a acontecer, o que me dá força é ter noção de que se eu não tivesse coragem de fazer isso agora, não ia fazer nunca mais. É bem mais fácil voltar pra casa do que ter que sair depois. Meus pais dormem no quarto de lado, e me sinto mal por ter me despedido de um amigo, um melhor amigo. Não saiu nenhuma palavra de mim, não saiu nenhuma dele. É tudo tão forte, tão simples, tão intenso, tão discreto, que não se dá pra explicar. Talvez seja assim tão perfeito por nunca ter acontecido amor de verdade entre a gente, daqueles que acontece entre homens e mulheres normalmente, mas um amor paralelo, que faz da gente irmãos, que faz da gente tão unidos. Do tipo de sair de casa pra ver novela na casa do outro, do tipo de ir fumar uma shisha pra contar alguma coisa nada a ver que aconteceu, do tipo de achar um máximo tomar cerveja porque é barato, e agente se diveeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeerte. Se eu pudesse fazer um pedido agora, seria pra que nunca, nunca eu tivesse que chegar na tua frente e te estranhar, e ter receio de contar alguma coisa por achar que nao faz diferença tu saber. Quero essa nossa amizade por muito, quero te ver todo final de semana como se eu tivesse aqui do lado sempre, na rua do lado, dividindo táxi todo sábado a noite. Agradeço a prova que é possivel existir amizade entre homem e mulher, agradeço ter te conhecido e sentado atrás de ti e jogar papel na tua cabeça. Agradeço todos nosso momentos de chubaca, de sanidade, de tristeza, de felicidade, todos. E o melhor, não digo isso como se tivesse acabado, porque daqui cinco dias, eu volto, e vai ser tudo como sempre foi.
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