Dia vinte e quarto de fevereiro, vinte e três horas e cinquenta e oito minutos. A noite chega, a casa dorme, e e me vem aquela vontade incontrolável de chorar, de novo. Sem motivo claro, aparente ou causador, é só rotina, sei lá. O sol vai embora e já fico com medo que se aproxima o silêncio. E cada vez mais perto da hora de dormir, de deitar na cama olhando pro teto e tentar controlar aquela avalanche de pensamentos mórbidos e desnecessários que não param de me ocorrer. Só eu comigo mesma. E eu não quero. Não quero ter que lidar, ou tentar entender minhas dúvidas e meus anseios de novo. Continuo aceitando tudo como sempre foi e paro de me questionar e ficar mal assim. Quero arrumar minha mala, tirar o esmalte da unha, fazer qualquer coisa pra ocupar meu tempo e não ter que ficar sozinha. Esses olhos vermelhos e aguados não fazem parte de mim, quero que saia, assim como toda essa coisa estranha que tem dentro de mim que parece que só sai em água. Quero por a musica bem alta, e chorar, cantando, Rolando, berrando o tanto que eu quiser, o quando, o monte, o pranto, o manto. É uma explosão contida. Coisas que eu não disse, e que queria dizer, que estão entaladas aqui, esperando o momento que imaginei e que já ensaiei pra pôr pra for a minha realidade imaginaria. Cansei das pessoas que viviam na minha cidade, me mudei. E de repente todas as novas que eu conheci, e descobri, se transformaram na mesma lorota de antes, a mesma vidinha de cabeça fechada, que quando menos espera vai embora sem pretenção, e não te diz nada. De repente ninguém mais é confiável, e nem tenho mais saudades. Não tem problema, gosto de ser o assunto da mesa de bar de vocês. Tudo que eu faço de errado e de burrice, falem, ja que da vida de vocês mesmo é difícil de olhar e ver que não passa um milimetro longe. Quero mais é que vejam minhas costas virando, e tudo que eu choro hoje, é nada mais nada menos que anestésico, não sinto mais nada. Nem me importo, nem preciso, nem continuo, absolutamente nada. Bate de frente e cai para trás, e eu só quero que a anestesia seja tão forte que me dê sono. Não por uma noite, que me faça dormir essa semana inteira, esse mês, ou todo o tempo em que dormindo se ganha muito mais do que acordado e de olhos fechados.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Uma garotinha
O documento aberto e vazio na minha frente, e eu tento pegar ar pra tentar parar e escrever. A angustia de um dia inteiro vem, vem, e nao para de sair entre recaidas e suspiros. Sem razão óbvia ou aparente, parece que em um dia de repente tudo ficou errado. Eu estar acordando amanha cedo pra ir opinar no apartamento de balneario, é errado. Não fui eu que comprei. Eu ter tudo ta errado, não trabalhei também. E o pior é ver que não ajo no presente nem pretendo contribuir com isso tudo. Parece simplismente que não tem nada que se encaixa na minha vida. Não consigo imaginar um emprego, não consigo imaginar um namorado, não consigo imaginar nem minha vida amanha. É pavoroso ver que as pessoas ao redor vao fazendo o mesmo, só que como o diferencial que parece que pra eles ta tudo certo. Eles não tao em casa, mas os pais apoiam, mandaram viver suas vidas e pronto. E é isso que falta pra mim. Posso ter muitas duvidas, mas sei que sempre tive e tenho necessidade de cuidar de mim mesma pra seguir em frente. Tenho pavor do que me supervisiona, me impede, opina. Ai de repente penso que to certa, e igual aos outros que sairam, com a diferenca que eu sai de casa, mas não largo ela. Não simplismente virei as costas e fui viver minha vida. Eu virei e fiquei olhando pra tras, e simplismente não olho pra frente porque tenho muito medo de perder minha familia. Vejo a cada dia que ela é maravilhosa, e quero minha vida, mas inexplicavelmente não sei mais nada. Só sei que é muito ruim pensar nisso e só ter vontade de chorar. De acordar amanha e ter decido alguma merda pra minha vida. Coisa que eu simplismente não faco. E quero ver o dia em que eu acordar daqui 3,4 anos e ver que achava que no próximo dia eu ia decidir, e esse dia nunca chegou.