quinta-feira, 27 de novembro de 2008
the view from the afternoon
Esse quarto com cheiro de bala de uva. Falta água, a pia tá cheia, não tem mais nenhuma louça limpa, o banheiro fede, não tenho como lavar a mão, escovar o dente, tomar banho. Mais mosquitos que o comum, mais tédio que o comum, mais pó, mais cheiro, mais mosquitos, mais tédio ainda. E eu ainda me pergunto porque não tenho a mínima vontade de vim pra casa. Do momento que eu me despeço, ponho os fones, já me vem aquela angustia de ter que passar as próximas horas sozinha. De ter que decidir de novo o que vou comer, de criar forças pra estudar. Moro com uma estranha mais estranha do que muita gente que não conheço. Cada uma no seu quarto, cada vida numa parede, cada estilo em um lado oposto das coisas mais opostas possíveis. Na minha concepção, todas as pessoas que moravam juntas tinham um mínimo de afeto. Do tipo, comer alguma coisa juntas, convidar pra dar uma volta, conversar, CONVESAR! Achei que as pessoas que moravam juntas conversavam. Uma família diferente talvez. Dividisse o queijo, o tropeço da rua, o apresso do fim do semestre, mas não, vivo sozinha com alguém que existe do lado. Dorme de dia, fica acordada de noite, reclama de uns poucos trabalhos, não come, namora, chora, briga. Não tira a roupa do varal, não tira o lixo, dorme. Dorme, dorme, dorme. É estranhamente patético como duas pessoas numa mesma casa podem ser tão distantes. É contraditório viver assim. Essa coisa estranha que sinto queria jogar pra longe. Um vazio de solidão de quem prefere ficar sozinho. Um vazio de falta de pessoas que não sei quem, de amigos que vejo mais do que devia, de pessoas que nem perto estão. Vazio de quem estuda, de quem quer chorar mais não sai nada, de quem quer pelo menos a água de volta, ou sair de uma rotina que ainda não existe, sair, correr, qualquer coisa, menos aqui. Menos comigo.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Pretextos ao livre arbítrio
É engraçado quando temos que fazer alguma coisa que realmente nao queremos. Ta tudo ali, na tua frente esperando, olha pra ti, continua olhando, e nada. TEM que estudar, tem que saber aquilo pra amanhã, mas não ta dando, não tá. Uma olhada no msn, atualizada no orkut, comer um pão, mexer numas fotos. Olha pela janela, pensa um pouco nas pessoas, olha pro caderno, e decide comer um chiclete. Pensa em fumar um cigarro, mas quer prezar pela saúde, então não. Vamos fazer o maço durar um ano. Mas ai não fumo nunca, porque nunca quero estragar minha saúde. Assim como nunca como fritura e besteiras pra não engordar, mas não sou magra. Assim como não vejo filmes, não leio, e não aprendi a cozinhar porque não tenho tempo e tenho que estudar, mas não to estudando. Tá, vou ouvir uma música, mais uma olhada no msn. E vamos, tenho que encarar isso. Não dá, vou arranjar desculpas até as desculpas me contarem que pretexto não tira nota alta. Devia ter ido na casa de um amigo pra estudar, devia lavar minhas meias, vou fumar um cigarro. Não, é contra as regras, é feio, tem gosto ruim, mas a janela ta vazia, o dia chuvoso, alagado e grande e triste. Não tem amor. Ninguém eu amo, e isso talvez nem seja um problema, nada é, só tenho que estudar e acabar logo com isso. Quem sabe? Respira fundo, e sem pretextos. Ou dorme de uma vez, ou assume as coisas, porque isso não é nada, e eu sei que vai ser sempre assim. Pessoas dão desculpa às coisas que elas não querem admitir que têm preguiça, que deu errado, ou que é difícil. Por isso não fui na academia hoje, pensei que o dia tava triste e eu tinha o direito de ir pra casa, mas não. Desculpas sempre vão existir, e minha prova é amanhã.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Pra mais ou pra menos ?
de repente, a calmaria. Não calmo, mas mais calmo. As novidades passaram, a conformidade chegou, a vida tá acostumando. Um quarto pequeno, enfeites simples e algumas roupas pra lavar. Não sei se sinto saudades, falta, ou algo assim. Fico feliz com meu sossego, com a minha organização, correria, e tentativa de tempo de fazer tudo. Conhecendo pessoas que jamais imaginei, nem conhecer, nem ser tão diferente, nem com tanto homem, nem com tão pouca mulher. Homens. Homens.. Como conhecer tanto o lado masculino e ainda não saber lidar com isso? Como saber todas as manhas, mentiras, fragilidades, e ainda não saber? Ver que tudo pra eles é ligado ao sexo, que não importa a mulher, o que ela veste, nem a cor do sapato, se tiver todos os dentes, conta pontos. Todos pouco diferentes, quase iguais, sem muito respeito. Um mundo tão liso que só dentro é perceptivel o quanto é fácil. Um as vezes se apaixona, mas logo passa, outro pensa em ter alguem, mas não acha, outro acha, mas não quer. É complicado, ainda vou entender.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Ponto de inflexão
E minha mãe me perguntou aonde tinha errado na minha educação, o que ela e meu pai tinham feito de errado que fez com que eu saísse de casa. Não foi amor o suficiente? Faltou alguma coisa? não mãe, foi tudo perfeito. Nada que vocês não me deram ou que senti falta. Acho que foi justamente isso. Eu tinha tudo, e foi tudo perfeito demais. Eu queria um pouco de bagunça, de liberdade. De decidir que roupa usar, se eu quero ir ou não, minhas atitudes. Comprar o que eu quero comer e decidir minha própria saúde. Se eu quiser fumar é porque eu quero e eu é quem prejudico minha saúde, não porque to em casa e não quero parecer errada, e quero a imagem de melhor possível sempre. Se eu quiser jantar uma ruffles, eu janto, se eu quiser só acender um incenso e ficar no meu silêncio eu fico. Mas hoje, nessa tarde nublada de quinta feira eu acordo e não quero levantar. Queria ficar entretida nos meus sonhos bizarros, rolar e desenrrolar no cobertor, mas não queria acordar e encarar minha realidade. Silêncio no quarto, um pouco de ressaca, um pouco de bagunça, um pouco de vazio. Saudades de não sei o que, de não sei quem. Acho que de alguém pra dizer um bom dia esperando com um café da manhã, de alguém que te abraçe e diga um "eu te amo" ou um "dorme bem" as vezes. É muita dúvida, estudar tanto pra ir mal, por ter falta de atenção? Fazer o melhor curso porque gosta e não acha outra opção, mesmo sendo o mais difícil? Sim. O fato é: até quando?
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