quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Uma gaiola no passarinho

E tudo empurra, esticando linhas e entrelinhas perturbando a harmonia que ameaça explodir. Grossos pingos vão caindo propositalmente pra me provocar quando estralam no meu chão seco, me dizendo que vou ter mau sonhos. Em duas voltas tropeçam em mim exagerados instantes que eu só lamento, que me rodam e sussuram o temor de desabar. Eu interpreto gestos, analiso palavras, sinto motivos, sofro pelos detalhes, e faço uma crítica inteira em pensamento sem respirar. Quem sabe os sonhos de quem não dorme, ou o choro dos que não sofrem, ou parar de achar que o mundo é tão indolente a ponto de me impor limites. De obrigar a me apegar ao singelo pouco, de impedir que eu me livre dessa obcessão pelo repugnante perfeito. E só confio no meu único aliado, o tempo, pra me dar uns socos, me fazer olhar no espelho e dizer: chega.

Nenhum comentário: