quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Sala de espera

E é a primeira noite que eu me sinto irrefurtávelmente sozinha, mesmo ainda não estando. Faculdades começam, cada amigo em um curso, em um horário, e eu não tenho com quem conversar. Coisas acontecem, minhas meninas conhecendo outras, meu namorado seguindo seus imprevisíveis atrasos, não sabendo que o segundo plano me afasta a cada dia. Me assusta cada segundo desse novo ano, me assusta minha carência por sorrisos e abraços diários. Dentro da minha própria casa, cuido pra que não escape nenhum detalhe, e eu temo pelo erro. Em cinco meses posso não estar mais aqui, e eu nao sei se realmente quero abrir mão dos meus velhos e bons amigos, do corredor e do tapete que piso todo santo dia. Não sei se quero abrir mão de ir dar um beijo nos meus pais quando quiser, de dividir um suco natural com meu pai toda mãnha, ou do estoque fedido da fabril. De onde tirei tudo isso? Porque não optei pelo simples e normal, e fiz qualquer coisa, que nem sei o que seria ? Ou talvez tudo seja a prova que o ser humano ao esbarrar com qualquer simples mudança, liga um automático e manda um "não". Ele se acomoda e molda sua vida ao redor do seu mundo pequeno, e dali sonha e vive pra sempre. Não é programado pra esquecer pessoas, deixar pra trás e fingir que nunca existiram, não. Todas marcam tão profundamente que dói deixar o igual.

Meu consolo são poucas palavras vindas do meu sangue: "Vai, e no momento que perceberes que não é isso que querias, volta, que sabes que podes recomeçar tudo de novo, quando quiseres."

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