sexta-feira, 2 de maio de 2008
Melancolia de um tédio sem fundamento
E aqui estou. Sexta a noite, sentada em posição de índio na minha cama, com um incenso contaminando cada partícula, ao som de regina, chorando. É quase que um ritual, um tipo de transe que a musica entra, a respiração flui, e as lagrimas saem de um jeito que quase me alivia. Eu ultimamente vivo no nada: como se fosse quase ninguem. Não estudo, não toco nenhum instrumento, não leio, não estou aprendendo a cozinhar, não assisto jornais, não sei o que acontece no mundo, não penso o que quero da vida, não faço nenhum curso, não pratico esportes, não como, não saio, não bebo, não namoro, não faço sexo, não escrevo cartas, não vou à missa, a única coisa que faço é pensar. Não tem como deixar o tempo passar sem fazer absolutamente NADA, olhando pra uma parede branca com descasacados, deixando a mente vazia, porque quando me dou conta, o descascado já tem hisória, já pensei até demais. Penso, e isso já é um conforto, já nao faço mais nada. Tento manter meus amigos, tento ser eficiente no trabalho, tento ter algum objetivo, tento ser culta, tento não ser anciosa, tento fingir que não me preocupo com meu namorado e que está tudo bem, quando dentro de mim tudo dá voooltas, voltas. Durante a semana, todos rezam pra que passe rápido pra que chegue logo o fim de semana, e rezam pra que passe devagar porque quando chega segunda eles rezam de novo. É esse o ponto, eu nao quero que o tempo passe porque eu nao tenho onde chegar. Meu final de semana promete ser pior, me faz ficar o dia inteiro em casa me sentindo uma inutil, vendo por poucas horas durante a noite as pessoas que realmente me importam, e ficando o dia seguinte de novo me sentindo uma inutil. E o pior, é que depois de vários finais de semana inuteis, eu vou embora, pra tentar ser util, estudar, aprender a cozinhar, e cuidar do meu fungo da unha do dedão. Meu incenso sujou tudo e meu chá esfriou, provavelmente to respirando errado, e me sinto sozinha. Incrivelmente rodeada de pessoas e sozinha. Nesse momento, sozinha de verdade, e dentro de mim, é claro, sozinha.
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